Eu não sei mais se sou. Isso mesmo! Se sou (do verbo ser). Fecho a porta do quarto, tentando deixar a angústia lá fora. Tenho medo das coisas voltarem a ser como eram num passado próximo. Ninguém vê, ninguém entende. Eu estou querendo todos só para mim, mas apenas dizem que eu ando distante. Um instante. Ironia, não? Estou ficando tonta. Vodka? Não! Medo.
Não consigo fugir. Não consigo ficar. Não está chovendo lá fora, mas está chovendo aqui dentro. Conforme as palavras vão se auto-digitando, minha cabeça vai processando. Esses são pensamentos de hoje, agora. Amanhã ou mais tarde eles podem mudar, eles vão mudar. Lembranças de outrora suscitam a falta. Não importa do que eu fale aqui sobre isso, tudo será no pretérito. As circunstancias atuais são outras, eu sei. Mas meu coração não entende justificativas para tantas ausências.
Queria pegar o bonde de novo e ir com ele para longe dessas pessoas. Que pessoas? Todas essas que agora, cada um de vocês insiste em chamar de ‘legais’. Egoísta? Talvez, mas sendo ou não sendo, elas não estão nos aproximando. Admitam. Eu juro que estou tentando estar mais presente, mas meu lugar já não está mais desocupado.